
Depois de 8 anos em que ouvimos políticos a falar de crise, em que perdemos poder de compra em relação aos congéneres europeus, em que os indicadores económicos se sobrepuseram aos de bem-estar social, voltamos a ouvir a expressão “apertar o cinto”. De facto, estamos com taxas de desemprego demasiado altas num país em que o sistema de protecção social não consegue dar resposta à medida das reais necessidades. A médio prazo, as consequências da crise serão sentidas nos países em que esse sistema de protecção social pura e simplesmente não existe, como é o caso de Moçambique.
Em Espanha, uma das medidas anti-crise foi a diminuição nos fundos disponíveis na Ajuda Pública ao Desenvolvimento (APD), depois do esforço brutal dos últimos anos em programas e projectos de desenvolvimento. Em 2008, Portugal investiu 0,27% do seu Rendimento Nacional Bruto em APD. Este valor continua aquém do compromisso da Cimeira do Milénio de 2000, em que os países industrializados se comprometeram a aumentar para 0,7% até 2015, que foi definido como o valor necessário para atingir o Objectivo de Desenvolvimento do Milénio 1: Erradicar a Pobreza Extrema e a Fome no mundo.
Importa por isso louvar o esforço que os cerca de 300 doadores do projecto fazem para manter o Ser Humano de pé, e que permite garantir a satisfação das necessidades básicas e o apoio educativo às crianças e jovens beneficiários do Projecto.
De nossa parte, continuamos o trabalho a que nos comprometemos e do qual damos mais uma vez conta nesta V Edição do Jornal Ser Humano. Destacamos o trabalho desenvolvido no Centro da Manhiça em que, após uma primeira fase de grande envolvimento da equipa local, começamos a colher os primeiros frutos: os lucros do Salão de Cabeleireiro permitiram já pagar 10% do investimento inicial neste negócio social, que se vai tornando ex-libris do projecto e dos negócios sociais em Moçambique. Por outro lado, louvamos a dedicação dos voluntários no terreno, que tem permitido capacitar os nossos recursos humanos locais para um trabalho mais eficaz e eficiente com as crianças e jovens do projecto. A todos, o nosso muito obrigado!
David Afonso, Coordenador de projecto TESE |
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Proposta de co-financiamento apresentada ao IPAD para projecto em Massaca
Procurando dar respostas integradas aos problemas que afectam as comunidades onde actua, a TESE e um conjunto de parcerios locais (Casa do Gaiato, Universidade Eduardo Mondlane, Fundo Nacional de Energia e Serviços Distritais de Actividades Económicas de Boane) apresentaram uma candidatura à linha de Linha de Financiamentos a projectos de ONGD’s do Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento, com vista à resolução do problema da desflorestação na Comunidade de Massaca.

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Plano de formação da equipa local prossegue a bom ritmo
Para atingirmos e mantermos a qualidade do projecto e particularmente o acompanhamento de centenas de crianças e jovens órfãs e vulneráveis, são necessários profissionais tecnicamente qualificados e emocionalmente equilibrados. Tendo consciência desta realidade, em 2010 o Ser Humano desenvolveu um pacote formativo (cursos, palestras e workshops) onde procura capacitar a equipa local com conhecimentos, métodos e técnicas fundamentais para o bom desempenho profissional.
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